10.4.09

Estou sem sono e não tinha nada para fazer. Decidi reler posts deste blog. Ainda não cheguei a meio, comecei agora o mês de Janeiro, mas já uma série de coisas se passaram pela minha cabeça. Ao relê-los foi como se todos os sentimentos que sentia quando os escrevi voltassem, e durante cinco minutos toda aquela felicidade de há tempos voltou e fugiu ao mesmo tempo. A ela sucedeu aquela sensação de impotência. Acho que só agora neste preciso momento me dei conta da felicidade em que vivia. Não que agora seja uma pessoa infeliz, não, já passei a fase das amarguras e do "ai a vida é uma merda" há uns meses. Mas ao ler senti tudo como se fosse hoje. Senti o carinho, o calor cá dentro. Foi como sentar e esperar por um beijo. Se houvesse uma maneira de eu conseguir escrever o que estou a sentir agora, não tenho dúvida alguma que iria escrever o texto mais bonito que alguma vez consegui escrever. Mas não consigo e espero que me desculpem o aborrecimento que vos estou a causar ao lerem uma coisa que nem é o que quero dizer. Nunca falo muito da minha vida às pessoas não porque queira esconder algo, é mais uma questão de não chatear. Não estou com isto a querer colocar insignificância aos factos que nela acontecem, apenas há coisas que não gosto de viver mais do que uma vez mas há coisas que gosto que não fiquem presas no tempo. Gostava que os últimos sete meses vividos constassem numa dessas coisas. Acho que a perfeição das coisas não está no final que têm mas sim no seu decorrer. O final é sempre o ponto de transição para um novo início daí que não dou muito valor a finais felizes ou não. E volto aos tais sete meses.

 

Com a minha idade apaixonamo-nos vinte e três vezes por dia, dessas vinte e três vezes em que sentimos o frio no estômago, as palpitações e os sorrisinhos ousamos dizer duas ou três vezes que amamos. Depois vem o dia seguinte e apaixonamo-nos outras vinte e três vezes e o resto da história já vocês conhecem. Sei de dias até em que me apaixonei umas vinte e oito vezes, só para verem as proporções que a situação toma. Houve um dia em que me apaixonei apenas um vez e isto acontece quando uma das vinte e três vezes de um ser humano coincide com uma das vinte e três vezes de outro ser humano. Isto aconteceu num daqueles dias em que não queremos que nada aconteça e tudo acontece. E foram sete meses, mais coisas menos coisa. Basicamente o que quero dizer é que apesar de toda a mágoa e desilusão (principalmente desilusão) que aconteceram no fim, agora ao ler e ao recordar o que já passou, sei de alguém que deu-me os melhores sete meses dos últimos vinte anos, e acho que valia a pena anotar isso, a primeira vez em que perdi algo por quem sinto o maior carinho que consigo sentir. Obrigada, sabes, obrigada e um beijo.

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L., às 02:37  comentar

De blurred a 10 de Abril de 2009 às 04:02
pois. às vezes perguntam me se ele é o amor da minha vida, e eu não sei, mas sei q esse carinho enorme é unico e sim, durará a minha vida. e é tao bom sentir q n foi em vão :)

um beijinho para ti *

De patrícia a 10 de Abril de 2009 às 13:28
amazing. posso roubar-te só umas linhas?
ouvi falar que o blog estava em destaque. mais que merecido. (:

De L. a 10 de Abril de 2009 às 13:53
claro (:

De Sílvia a 10 de Abril de 2009 às 14:37
Acho que hoje aprendeste uma das lições mais importantes da vida e que talvez só quem passa por situações semelhantes à tua e à minha a consegue compreender. A forma como termina é completamente insignificante relativamente à forma como os momentos anteriores foram vividos. Isso sim é valioso. Amar e sentirmo-nos amados é do melhor que existe e termos a oportunidade de vivênciar isso torna-nos priveligiadas. Quanto tempo dura, ou se voltará a acontecer, não importa. Importa sim, a intensidade e genuinidade do momento.
beijo

De reconstruindoamente a 10 de Abril de 2009 às 16:08
Parabéns pelo blog!!

http://reconstruindoamente.blogs.sapo.pt/

abraços

De Miguel a 10 de Abril de 2009 às 23:12
Quando lemos o que éramos há tempos atrás, é normal que nos lembremos de outra pessoa, quando há mudança. Falo por experiência própria, pois a diferença entre os meus primeiros posts e os de agora é colossal.

Foi bom para ti teres te consciencializado de que esse amor que teve mágoa e desilusão afinal serviu para cresceres e só te fez bem. :)

E já agora, obrigado por teres partilhado toda essa avalanche connosco que lemos porque queremos, não somos obrigados, daí sentirmos mais as palavras e compreendermos a tua emoção.

Obrigado, Leonor. Obrigado por existires.
(please, não penses que me estou a atirar lol)

De L. a 10 de Abril de 2009 às 23:52
Quem agradece sou eu.

(ahah, eu sei que não tonto :p)

De I see... a 10 de Abril de 2009 às 23:21
:) Gostei de estar aqui...
Um braço.

"...things don't have to be extraordinary to be beautiful.
The ordinary could be just as beautiful."

Wicker Park